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A escritora Narcisa Amália de Campos nasceu no município de São João da Barra, no Rio de Janeiro, no dia 3 de abril de 1852. Fortemente abolicionista e com ideais republicanos, Narcisa Amália é considerada a primeira jornalista profissional brasileira (Faedrich, 2020, p. 17), tendo construído sua carreira por meio da publicação em periódicos, e também da publicação de seu primeiro e único livro de poesias, a antologia Nebulosas, que contém 44 poemas, em 1872, aos 20 anos. Ela faleceu na cidade do Rio de Janeiro aos 72 anos, em 24 de julho de 1924.

De família não abastada, Narcisa se sustentava como professora do ensino primário. Ela se casou e se separou duas vezes, além de ter sofrido preconceito devido à sua beleza, o que lhe rendeu inúmeros cortejos masculinos (Faedrich, 2020, p. 20). Esses fatos a fizeram ser muito desrespeitada, visto que, àquela época, beleza e inteligência não eram atributos socialmente aceitáveis numa mesma mulher, como dito por Faedrich (2020, p. 21). 

Filha de Joaquim Jácome de Oliveira Campos Filho e de Narcisa Ignácia Pereira de Mendonça, ambos professores, Narcisa, primogênita de oito filhos, recebeu uma exímia educação doméstica, tendo crescido em meio à muita cultura e sido alfabetizada aos 4 anos de idade. Narcisa estudou latim e francês, além de ter recebido aulas de retórica de seu pai.Aos 13 anos, mediante a criação, por seus pais, de dois colégios, um para a educação de meninos e outro para a educação de meninas, Narcisa auxiliava a mãe nos afazeres do colégio feminino, ministrando cultura geral para jovens do internato. Seu pai, que também foi jornalista, colaborou em diversos periódicos fluminenses e paulistas, tendo sido co-fundador do periódico O Paraybano (1859-1870), o primeiro jornal editado em São João da Barra (Faedrich, 2020, p. 21). A família, mesmo que pobre, por meio dos contatos da imprensa periódica, conquistou respeitabilidade social, ao ponto de, em 1874, o pai ser homenageado por D. Pedro II com a Comenda da Ordem do Cristo, importante distinção imperial para mestres dedicados. Esses elementos, certamente, foram fundamentais para a constituição de Narcisa enquanto uma jovem letrada e, posteriormente, uma escritora.

Narcisa Amália deu início à carreira com a tradução de contos e ensaios de autores franceses, como George Sand (pseudônimo masculino da escritora Amandine Aurore Lucile Dupin), Arsène Houssaye e Gaston de Saporta. Ela teria reunido esses trabalhos e os publicado num livro, este que seria a sua primeira publicação. Em seguida, ela publicaria Nebulosas. Além disso, a presença de Narcisa Amália foi notada pela crítica literária brasileira e portuguesa da época, e também por ilustres escritores, seus contemporâneos, como Machado de Assis (Faedrich, 2020, p. 23) e Guiomar Torrezão. 

 

Transcrição dos poemas de Narcisa Amália publicados na imprensa periódica brasileira entre 1871 a 1888

 

Periódico

Data e edição

Local de publicação

Título

Observações

Manuscrito

Transcrição

Diario de Pernambuco (PE) 

1871/Edição 00225

Pernambuco

Poema “Sete de Setembro”.

Poema sobre a Independência do Brasil.

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=029033_05&pesq=%22narciza%20amalia%22&pasta=ano%20187&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=4078 

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A Luz : Publicação Semanal (RJ) 

1872/Edição 00001

Rio de Janeiro

Poema “Vem”.

 

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=779610&pesq=%22narciza%20amalia%22&pasta=ano%20187&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=419 

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A Luz : Publicação Semanal (RJ) 

1873/Edição 00002

Rio de Janeiro

Poema “Amor de Violeta”.

 

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=779610&pesq=%22narciza%20amalia%22&pasta=ano%20187&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=730

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Monitor Campista (RJ) 

1886/Edição 00069

Rio de Janeiro

Poema “Vinte e Cinco de Março”.

Poema sobre a outorga da primeira Constituição do Brasil.

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=030740&Pesq=%22narciza%20amalia%22&pagfis=11192 

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A Provincia do Espirito-Santo : Jornal consagrado aos interesses provinciaes, filiado à escola liberal (ES) 

1886/Edição 01114

Espírito Santo

Poema “Violeta Morta”.

 

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=301582&pesq=%22narciza%20amalia%22&pasta=ano%20188&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=4449 

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A Provincia do Espirito-Santo : Jornal consagrado aos interesses provinciaes, filiado à escola liberal (ES) 

1887/Edição 01365

Espírito Santo

Poema “Phantasia Crepuscular”.

 

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=301582&pesq=%22narciza%20amalia%22&pasta=ano%20188&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=5449 

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A Provincia do Espirito-Santo : Jornal consagrado aos interesses provinciaes, filiado à escola liberal (ES) 

1888/Edição 01729

Espírito Santo

Poema “A Nuvem”.

 

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=301582&pesq=%22narciza%20amalia%22&pasta=ano%20188&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=6856 

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Pacotilha (MA)

1887/Edição 00306

Maranhão

Poema “Ouvindo um Pássaro”.

 

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=168319_01&pesq=%22narciza%20amalia%22&pasta=ano%20188&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=7243 

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Pacotilha (MA) 

1888/Edição 00009

Maranhão

Poema “Sobre uma Louza”.

Poema em homenagem a seu pai.

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=168319_01&pesq=%22narciza%20amalia%22&pasta=ano%20188&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=7411 

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O Sexo Feminino (RJ)

1875/Edição 00001

Rio de Janeiro

Poema “Visão”.

 

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=706868&pesq=%22narcisa%20amalia%22&pasta=ano%20187&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=179 

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Referências


FAEDRICH,  Anna  (org,)  Narcisa  Amália:  1852-1924.  Estudo,  antologia  e  bibliografia.  Lisboa:  Biblioteca  Nacional  de  Portugal;  CLEPUL  (Centro  de  Literaturas  e  Culturas  Lusófonas  e  Europeias);  CICS.NOVA  (Centro  Interdisciplinar de Ciências Sociais), 2020.